4 Sinais de confirmação para a tendência UNDER_LINE

Em 2016, o ODES lançou e definiu a tendência UNDER_LINE da seguinte maneira:

 

Em contraponto ao rolo compressor mainstream, há uma nova energia no ar, que faz apelo à subversão, ao underground e à contracultura como antídotos à normalidade boring e asséptica. Reganha interesse, nitidamente, uma nova linha ‘sub’, ou sob os pilares da cultura oficial, como reação aos excessos de bom-mocismo.

 

Um ano depois, diante das evidências que observamos, o momento é muito oportuno para atualizar essa história. De onde vêm e quais são os principais sinais que reforçam e confirmam a tendência UNDER_LINE.

PÓS-PUNK

Há um interesse renovado pelos primeiros anos 1980, o “filé mignon” da década em termos de estilo. Algumas coleções referenciais para o outono-inverno 2017-2018 vieram com um inconfundível perfume dark e pós-punk – e, convenhamos, não existe período mais UNDER_LINE, rico em subculturas urbanas com espírito altamente contestador do establishment.

Foi o que se viu em bons momentos dos desfiles Alexander McQueen, por Sarah Burton, e Dior, por Maria Grazia Chiuri. Capas, capelines, capuzes e o uso indiscriminado do preto pontuaram repetidamente na passarela, além do styling em si, cheio de referências dark.

 

ANTIMODA

Quando o interesse da moda se volta para os grupos urbanos – e também para o streetwear e o workwear, como apontamos em post recente -, a sensibilidade mais forte é “antimoda”, isto é, contrária à moda institucional e ao mainstream. É claro que as marcas sabem brincar com isso e rapidamente adotam os signos antimoda, confundindo as pistas e criando fenômenos interessantes no campo do consumo. Um bom exemplo atual é a apropriação da bolsa de compras Frakta da Ikea pela marca Balenciaga, que deu muito o que falar. Ao transformar uma bolsa utilitária em elemento fashion, a marca desenhada por Damnia Vegasalia pescou nas águas UNDER_LINE para fazer moda. O estilista já deu mostras suficientes de que esse é o mood de sua marca própria, a Vetements. Do mesmo modo, Damnia parece estar conduzindo a histórica Balenciaga para uma direção muito mais subversiva.

 

FATOR KAWAKUBO

Dissemos, outro dia, que a Comme des Garçons é “a marca do momento desde 1980”. A afirmação é justíssima. Rei Kawakubo é a eterna vanguarda, talvez o exemplo mais acabado de criadora UNDER_LINE que poderíamos citar. Basta lembrar da inesquecível “coleção pós-atômica” lançada pela marca em 1982, com o famosíssimo suéter perfurado, para avaliar a sua presença na moda atual.

 

OUTSIDERS

Num plano mais geral, social e político, outsider está se tornando, rapidamente, uma das palavras mais pregnantes do Zeitgeist. Em artigo recente, o analista Marcos Troyjo afirmou: “O mundo é dos outsiders. O momento é daqueles que se opõem ‘àquilo que está aí’ (…) podendo significar também aquele contrário ao que é tristemente convencional no país” (Folha de S. Paulo, 26/04).

Essa força de mudança está cada vez mais distante dos “ideais românticos de revolução” e passa, antes de mais nada, por encontrar vias alternativas às “oficiais”. Portanto, trata-se de subverter o mainstream – mas, para cada caso, é preciso antes ter claro aquilo em que o mainstream se transformou.

 

APRENDA  SOBRE A TENDÊNCIA UNDER_LINE

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