A antecipação das tendências futuras é algo que toda empresa gostaria de saber para o seu planejamento estratégico. Vocês já sabem que a metodologia dos sinais permite fazer essa antecipação, pois os sinais são, justamente, os avisos de uma tendência em formação.

Quando um cliente precisa ter uma visão estratégica de futuro um pouco mais distante, um cenário de médio prazo (5 e 10 anos), construímos o que a gente chama de Projeção. A técnica da projeção é basicamente a mesma da prospecção de tendências, mas ela envolve uma pesquisa mais extensa. A regra é simples: quanto mais distante o cenário, maior a quantidade necessária de informações e sinais.

Temos um caso bem atual de projeção assertiva, que veio à tona por causa do BBB21. Trata-se da discussão a respeito da saída do Lukas, que mobilizou as redes e as opiniões, nos últimos dias.

É verdade que a saída do Lukas envolve vários aspectos que refletem, no microcosmo da casa, a complexidade da sociedade brasileira neste momento. Está sendo muito didático notar, por exemplo, que as posições de quem é opressor ou oprimido, “desconstruidor” ou desconstruído, a priori muito claras fora da casa e no debate de ideias contemporâneo, podem se perder e se confundir rapidamente nas tramas das relações sociais cotidianas.

Blog Sinais_BBB21
Cenas do BBB21. Fotos: internet, TV Globo.

Nessa confusão toda, o preconceito dos participantes à bissexualidade externada pelo Lukas na festa ficou muito claro. Gostaríamos de citar esta análise publicada pelo portal UOL, que resumiu o problema, mas inúmeras opiniões expressas nas redes seguiram o mesmo tom.

E onde entra a antecipação de tendências? Pois bem, segue um trecho de um report de 2008 que o ODES fez sobre os cenários para a evolução das novas famílias, tema que era emergente, naquele momento, e que continua atual. A demanda do cliente era ter uma visão de futuro para 15-20 anos (algo em torno de 2023, portanto). Entre os vários aspectos analisados, tratamos da questão da sexualidade e, mais especialmente, da ascensão da bissexualidade:

“Por isso, voltaremos a Platão: não existem sexos, existem corpos. Com isso, a bissexualidade ganhará mais evidência, pois transitar nos dois universos sexuais vai oferecer aos parceiros um encontro com o afeto-amor.

Ao mesmo tempo, vencida a etapa de aceitação das homossexualidades e em vista da emergência de uma bissexualidade tanto tempo reprimida, haverá uma luta pelo direito de ser… bissexual.

A atitude que se tornou mainstream, hoje em dia – em grande medida por influência da cultura norte-americana – é assumir-se gay. Assumir-se bissexual é algo muito malvisto nos tempos atuais, pois é um território de indefinição que assusta (vide a luta da atriz Claudia Jimenez pelo “direito de ser bissexual” – no futuro, uma heroína-pioneira, talvez?).

Na verdade, o “direito de ser bissexual” será o direito de amar a quem quiser e de (apenas) manifestar esse amor por meio do sexo, com quem quer que seja.”

(REPORT NOVAS FAMÍLIAS, 2008, ODES)

Soa bastante atual, não é mesmo? O mais interessante é que o report foi feito a pedido do programa Fantástico, da própria TV Globo!

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