FOOD TRIBES: DIGA-ME O QUE VOCÊ COME E…

FOOD TRIBES: DIGA-ME O QUE VOCÊ COME E…


O campo da alimentação continua quentíssimo, produzindo tendências e inovações que mexem com o mercado como um todo. Um bom indicador da centralidade que a indústria da comida conquistou é a quantidade de programas de TV, reality shows, canais sobre o tema no Youtube e no Instagram. Aliás, surfando na onda “gastro” desde o velho Orkut, as redes sociais se tornaram rapidamente o meio preferido de decisão e escolha de pratos e restaurantes, para um consumidor que confia antes na opinião de seus pares do que na avaliação de críticos e instituições.

 

Outro sinal interessante da vitalidade desse campo foi o surgimento, internamente, da discussão sobre “desgourmetizar” aquilo que foi “gourmetizado” em excesso nos últimos anos – um par clássico de tendência e contratendência...

 

Entre outros fenômenos produzidos pelo setor, podemos citar também a onda dos indefectíveis food trucks, bem ao gosto da Geração Y e de seu amor súbito pelas kombis como veículo alternativo preferencial para os pequenos negócios criativos (na área da alimentação e em outras também) - tudo a ver com a estética retrô que reinou soberana nos últimos anos e ainda não deu trégua.

  • Projeto komborganica. Foto: Divulgação/komborganica.com.br

  • Projeto komborganica. Foto: Divulgação/komborganica.com.br

 

 

Mas a origem desses movimentos está nos estilos de vida dos consumidores, cada vez mais segmentados em torno de comportamentos e preferências diferenciados em relação aos alimentos. É mais uma consequência do individualismo e da desregulação dos padrões estabelecidos, em todas as áreas.

 

O consumidor contemporâneo adota cada vez mais lógicas individuais, de acordo com necessidades, preferências e escolhas pessoais. Estas, por sua vez, encontram resposta em outros indivíduos com as mesmas afinidades, formando grupos de referência.

 

Talvez nenhum outro território conheça uma segmentação tão expressiva como o da alimentação. De modo geral, o campo como um todo foi completamente subvertido pela tendência da alimentação saudável, em um crescendo verificável a partir dos anos 1970.

Paradoxalmente, no extremo oposto do espectro, a junk food encontra, no presente, cada vez mais adeptos. São indivíduos cansados da pregação pelo controle obsessivo sobre o que se deve ou não ingerir, em listas que ainda trazem o inconveniente de ser quase sempre provisórias. Entre esses novos iconoclastas encontram-se os bacon lovers, grupo tão expressivo nos EUA que chegou a ser criado, até mesmo, um aplicativo exclusivo de encontros para esses amantes da gordura animal, o Sizzl.

Mas a oposição entre alimentação saudável e junk food é só um aperitivo. Para entender melhor os diversos grupos de consumidores e seu comportamento em relação à comida, fizemos um levantamento para os leitores do ODESBLOG.

 

Fica a ressalva de que o campo das food tribes é tão dinâmico que o mapeamento abaixo não é exaustivo. Enjoy!

 

São os que se abstêm de comer carne. Por ser o grupo mais tradicional, existem segmentações internas: há os lacto-ovo vegetarianos; e os pescetarianos (ou piscitarianos), que incluem peixes na dieta. Entre as food tribes, os restaurantes vegetarianos são os mais comuns de encontrar, há décadas.

Dieta sem carne nem produtos animais. Mais radicais e ativistas que os vegetarianos, os veganos têm orgulho de ser e de ostentar a sua escolha. Podem ter deficiências nutricionais. É uma alimentação arriscada especialmente para as crianças.
Principalmente vegetarianos, mas com consumo de carne ocasional. Dieta “tamanho único”, em que cabem todas as abordagens. O imperativo dos “flextarianos” é antes moral e ambiental do que nutricional. É uma filosofia de vida, mais do que uma dieta em si – portanto, sem consequências nutricionais.
Não é uma escolha: trata-se de uma condição autoimune que afeta a digestão e os intestinos do indivíduo. É fácil de identificá-los, pois costumam carregar a sua própria comida onde quer que se encontrem. Hoje, alguns indivíduos aderem à dieta sem glúten por modismo e porque acham que assim vão perder peso, mas não há evidências científicas de que isso ocorra.
A vida na tribo é tão mais excitante quando se tem um inimigo claramente declarado! Os sugar-free acreditam que eliminar o açúcar faz bem à saúde, à pele, aos níveis de energia do corpo... Os mais radicais recomendam cortar até mesmo frutas e legumes que contêm açúcar.
É a dieta do homem das cavernas (Paleolítico). Seu objetivo confesso é ajudar as pessoas a encontrar comidas mais naturais. Alimentos indicados: carne, peixe, frutas, vegetais, ovos, nozes, sementes. Não comem grãos, legumes, comida processada, açúcar refinado e sal. Pode causar deficiências nutricionais. Em alta, a dieta páleo se beneficia de um forte marketing em torno de seu idealizador, o chef-celebridade Pete Evans.
Os adeptos da dieta low carb consumem o mínimo de carboidratos possível. O objetivo é fazer o corpo entrar em estado de queima de gordura, chamado de quetose. Um traço comum entre seus adeptos mais extremados é a testagem do sangue com frequência, para saber se foi atingido, precisamente, o tal estado de quetose.
Só comem alimentos crus, sem nenhum processamento. Por exemplo, carne e peixe crus (carpaccio, sashimi, etc.). Os laticínios também não podem ser pasteurizados.
É a tribo mais nova e a que melhor expressa os anseios do consumidor por uma nutrição 100% personalizada. Fazem parte do movimento bio-hacking, no qual os consumidores usam aplicativos e outras tecnologias para saber exatamente o que estão ingerindo e ajustar permanentemente a sua alimentação. Sites como o www.wellnessfx.com, nos EUA, oferecem serviços de saúde e aplicativos de olho nesse grupo, que conhece forte expansão.

 

 

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