O FOFO, O COOL E O ARTÍSTICO COMO NOVOS DRIVERS DE CONSUMO

O FOFO, O COOL E O ARTÍSTICO COMO NOVOS DRIVERS DE CONSUMO


O Observatório de Sinais participou ontem (22/03) do seminário internacional O Futuro do Consumo, onde o Dario Caldas falou sobre o fofo, o cool e o artístico como novos drivers de consumo. O seminário foi promovido pela organização Proteste, de defesa dos direitos do consumidor, e o debate aconteceu no espaço patrocinado pela Coca-Cola do Brasil. A pedidos dos nossos leitores e seguidores, segue um resumo dos principais pontos levantados por Caldas no debate:

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Foto: ODES

Uma das características mais marcantes do consumo contemporâneo é a sua desregulação e a consequente multiplicação das motivações para consumir. Ao contrário do consumo orientado principalmente para a obtenção de status, que dominou até o século XX, a nossa era de consumo emocional abre espaço para novos drivers, seguindo uma lógica de escolha que é cada vez mais individual. É o caso do fofo, do cool e do artístico. Mesmo que essas motivações de consumo tenham pontuado eventualmente, nas últimas décadas ou séculos, o que distingue a sua manifestação no presente é a amplitude e a transversalidade com que ocorrem.

Entre esses três drivers, o artístico é certamente o mais conhecido e está ligado à tendência da estetização do cotidiano, que hoje atravessa os estilos de vida como um todo. O artístico é alimentado, de um lado, pela busca dos indivíduos pelo belo, e, de outro, pelo alargamento das fronteiras daquilo que é percebido como expressão artística. Tanto as manifestações da cultura pop, como a arte urbana, o grafite ou os quadrinhos, como aquelas ligadas aos estilos de vida, como a moda, o design, a joalheria, etc., fazem parte, juntamente com as artes propriamente ditas, dessa grande esfera que hoje é ao mesmo tempo objeto e reflexo desse amplo processo de estetização. As marcas têm surfado crescentemente nessa onda. Encontramos exemplos dos benefícios que pode trazer a associação de imagem com as artes em setores como o luxo, a cosmética, a moda, a alimentação, os acessórios, entre outros.

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Burger Friday Canvas Project. Foto: Designboom.

Apesar do cool ser um traço marcante do contemporâneo - que viu surgir as expressões coolhunter e coolhunting -, a sua forma de funcionamento é uma velha conhecida da sociedade moderna. O cool é a nova moda, no sentido de que ambos funcionam com a mesma dinâmica, sempre em busca de um novo e mutante ponto de convergência para orientar as escolhas. Em 2018, o vermelho é considerado mais cool do que o branco como cor para os tênis. A ioga e a meditação são cool, do mesmo modo que frequentar e comprar nos mercadinhos de artesanato. No ano que vem, o cool poderá terá mudado de orientação – daí o interesse estratégico para as marcas de mapear em permanência essas oscilações dos desejos do consumidor.

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Be Time, New York, espaço de meditação pop-up. Foto: divulgação.

Finalmente, o fofo se configura como uma das formas contemporâneas mais pregnantes. Há uma forte influência da cultura japonesa na difusão atual do fofo (os japoneses têm um termo específico, kawaii, para designá-lo), como também da cultura digital e dos emojis. A obsessão contemporânea pelos vídeos fofos de pets, as mascotes, e o uso cada vez mais frequente de animais na publicidade das marcas – hoje há um momento “galinhas” - são alguns dos sinais da generalização da fofice. O fofo tem um parentesco com o kitsch, à medida que ambos pretendem conquistar o outro pelos sentimentos mais fáceis, desprovidos de arestas, de conflito e de conotação crítica. O fofo contemporâneo também está intimamente associado a um gosto propulsionado pela Geração Y.

 

 

Para saber mais: "Vestígios do Futuro: Estilos de vida, consumo e tendências" (Observatório de Sinais, 2017), de Dario Caldas, aprofunda as discussões sobre o fofo, o cool, o artístico e outros drivers do consumo contemporâneo e está à venda na Amazon.

 


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