POR QUE A ÁFRICA ESTÁ SE TORNANDO O NOVO POLO CRIATIVO GLOBAL
Das artes à moda, há diversos sinais em circulação indicando um novo momento África muito forte. A despeito da riqueza cultural do continente africano estar muito além de tendências pontuais – e apesar de o Ocidente ainda não saber tratar os países africanos individualmente, um “lapso” que esconde preconceito e (nosso) atraso -, o fato é que há ondas de influência afro cada vez mais insistentes, sobretudo nos últimos vinte anos. Vejamos algumas evidências que apontam para isso.

SINAIS DA MODA, ARTE E ESTILO
Mostramos, há pouco tempo, porque a arte importa cada vez mais para as tendências. Pois bem, a África é o novo polo da arte contemporânea, como evidenciam duas mostras de prestígio na Fondation Louis Vuitton, em Paris, e o destaque que vem sendo dado à arte africana pela mídia especializada global.

Na Bienal de Veneza de 2017, a boa notícia foi o primeiro Pavilhão da Nigéria da história da mostra, como mostram algumas imagens deste post (inclusive a da capa).

Por outro lado, a revista The Last destacou em editorial o estilo masculino africano contemporâneo – no qual raça e gênero cedem espaço a personalidade e expressão – como vertente poderosa para o futuro do próprio estilo masculino.

A fotografia do jovem nigeriano Daniel Obasi e seu projeto “Illegals project” apareceu recentemente sob o holofote do Trend Union, entre outras recorrentes referências à África que têm sido feitas pelo bureau de Li Edelkoort.

Fazendo uma derivação pelo território do estilo, o look safari, sempre associado à África, está sendo revisitado como look escoteiro, que expressa valores como sobrevivência, epicurismo e aventura (a colette, aliás, apostou no estilo, no seu último verão em atividade). E não se pode esquecer da recente tendência “gorpcore” e seu look acampamento, que pegou forte como tendência no atual verão do hemisfério norte.

OLHAR PARA A ÁFRICA
Olhar para a África é ir muito além da discussão sobre a pertinência ou não da apropriação cultural, tema que tem sido bastante recorrente (o caso dos turbantes foi o mais presente). Em que pese sua importância para setores da sociedade, negar a apropriação cultural é algo deslocado da realidade global, que pratica toda forma de mixagens possíveis entre as mais diversas correntes e informações, e da própria hipermodernidade, que tem na desregulação um de seus pilares.
Por contingências históricas, a África fala de força, luta, tradição, atavismo e fé – mas, no presente, fala também de modernidade, questões de gênero, ativismo, resistência. Hoje, o continente africano se constitui em uma espécie de “reserva do novo”, uma vez que é, praticamente, o último bolsão intocado pela art business, no mundo – mais um bom motivo para ficar de olho nas tendências que emanam do continente.
